Ser mulher é viver à frente do seu tempo

  Por séculos ficamos reclusas na vida privada, deixamos de lado a nossa razão e escondemos a nossa intuição para não sermos queimadas vivas; pois a desvantagem na força física nos subjugava. Nos tempos de, em que as máquinas exercem a força física, estamos em processo de evolução. O movimento feminista vem travando significativas lutas e contribuindo muito nesse processo de mudança. Muitas mulheres sofreram neste caminho, o 8 de março é a maior evidência disso, mesmo que à passos lentos, estamos mudando um modelo mental.

  Hoje, tornou-se legítimo usarmos a nossa inteligência, passamos a ocupar cada vez mais as oportunidades no mercado de trabalho e nas universidades; estamos aos poucos saindo da vida privada e exercendo nosso direito de nos desenvolvermos na vida pública. Contudo, como estratégia para nos igualarmos, ainda por muitas vezes precisamos deixar de lado a nossa intuição e o nosso lado emocional para sermos respeitadas, nos espaços em que a mentalidade patriarcal e o preconceito ainda dominam. Especialmente no mercado de trabalho, ainda vivemos uma realidade que quanto mais “macho” a mulher for, mais sucesso ela acaba conseguindo; por “macho” quero dizer similar ao estereótipo de homens de sucesso, que apresentam um perfil mais competitivo, racional, objetivo e focado em resultados. Cabe lembrar que estamos em um contexto que histórica e culturalmente legitimou esse perfil como um perfil ideal de sucesso. Entretanto, ao buscarmos nos igualar aos homens, acredito que nos limitamos a usar apenas parte do nosso potencial, usamos a nossa inteligência, a nossa razão, mas estamos longe de usar toda a nossa capacidade. Por isso, acredito que a mulher é um ser à frente do seu tempo, pois ainda não estamos em um contexto em que seja “aceito” usar todas as nossas competências, apesar de ser evidente que o mundo precisa e muito delas.

  Sonho com um tempo em que poderemos usar todo o nosso potencial sem receios ou julgamentos, e por usar todo o nosso potencial quero dizer usar a nossa inteligência racional que por muito tempo teve que ser silenciada e usar também a nossa inteligência emocional e a nossa inteligência interpessoal. A mulher gera a vida e tem em seu instinto a capacidade de cuidar, do outro e do mundo, a mulher traz em si a capacidade de trabalhar de forma compartilhada e colaborativa, ela também traz o altruísmo como outra característica muito forte. Por muito tempo, seguimos um modelo mental predatória de sobrevivência, os resultados que colhemos nos mostram que esse modelo não é sustentável e que se seguirmos assim, vamos destruir o nosso planeta e a nós mesmos. Por isso, precisamos mais do que nunca aprendermos com o arquétipo da mãe; a mãe gera a vida, protege, atende as necessidades fisiológicas e emocionais; mas também estimula, desafia, coloca limites, permite crescer, possibilita andar com as próprias pernas, está presente mesmo quando está longe; se realiza com a conquista do outro. A mãe que é expansiva, comunicativa, abundante, plena, que dá e desfruta do prazer. Que cuida do outro, sem precisar abrir mão de si mesma. Hoje vivemos um momento em que o mundo precisa aprender a ser mãe. Para que a vida se desenvolva, precisamos do poder compartilhado do pai e da mãe, no mundo não é diferente. 

  O empoderamento feminino, possibilitou que usássemos a nossa inteligência e isso permitiu a nossa independência, mas frente a tantas mulheres independentes, seguras de si, com opinião própria, com carreira, com dinheiro ainda vivemos um momento em que os homens e a sociedade como um todo , se vêem desajustados e aprendendo a lidar com a mulher atual. O mercado de trabalho ainda é discriminatório e desigual em termos de remuneração em função do gênero. Muito distante de alcançar uma remuneração justa, este é um desafio que as pesquisas e os dados evidenciam. Contudo, é nos relacionamentos que o desafio é ainda maior, e sobre isso, temos poucos dados, pois os homens ainda não sabem como lidar com essa nova mulher, não sabem como tratar, como conversar ou como se relacionar.

  O grande desafio para nós mulheres é nos autorizarmos a sermos nós mesmas e utilizarmos todo o nosso potencial, mesmo em uma sociedade e contexto retrógrado que ainda está aprendendo a lidar com tudo isso, que ainda está se adaptando a essa nova mulher. Por isso mulheres, não esperem pela aprovação, espaço ou compreensão de quem ainda desconhece quem somos e onde podemos chegar. Vivam quem vocês são e usem todo o seu potencial. Os homens, o mercado de trabalho, a sociedade, o mundo precisam disso!  

 

Mulheres da Intelectus

Lidiane, Carina, Liana, Jennifer, Luiza, Alessandra e Camila

Gostaria de conversar com um dos nossos consultores ou especialistas?

Entramos em contato com você, basta deixar uma mensagem ou informar seu telefone!